Nações Construídas sobre Mentiras (Parte1): Como os EUA se Tornaram Ricos

Por Larry Romanoff

*NOTA DO BLOG: Onde o autor durante todo artigo cita América e americanos, estará se referindo ao país Estados Unidos da América e seus cidadãos, respectivamente, e não todo o Continente Americano e sua população.


Parte 1: Como os EUA se Tornaram Ricos

Uma Breve História da América que não se aprende numa Universidade

Um dos mitos históricos mais populares incorporados na consciência americana pela máquina de propaganda diz respeito à migração dos colonos para o Novo Mundo, a narrativa  a especificar como centenas de milhares de oprimidos virtuosos afluíram aos estaleiros, numa corrida precipitada pela liberdade e pela oportunidade. Podem ter existido cinco ou seis dessas pessoas, mas estava lá um grupo muito maior para escapar ao carrasco e ao carcereiro e uma selecção ainda maior eram comerciantes de escravos, prostitutas, e criadores de esquemas capitalistas à procura de pastagens mais verdes. Quando acrescentamos aos vastos números que esperavam escapar à perseguição justificada pelas suas versões pervertidas do cristianismo, os primeiros americanos dificilmente foram modelos a seguir para a edificação de uma nova nação. As provas estão claramente,mais do lado dos criminosos, dos perdedores e dos desajustados, dos fanáticos religiosos e dos oportunistas do que do lado dos míticos oprimidos. E, para que conste, não há qualquer prova de colonos a emigrar para a América em busca de “liberdade” ou de “oportunidade”, pelo menos, não dentro do significado actual destas palavras.

A boa saúde mental não era um pré-requisito para os colonos europeus que emigraram para o Novo Mundo. Gostamos de recordar-nos que a Austrália era (e continua a ser na sua maioria) povoada principalmente por assassinos, ladrões e pervertidos sexuais, mas os imigrantes para a América não eram consideravelmente melhores. De facto, a inscrição na Estátua da Liberdade ficou com as palavras mais ou menos correctas ao referir-se ao “lixo miserável da sua costa fervilhante”. Enquanto os australianos tiveram os seus assassinos e assaltantes em série, os europeus estavam melhor com os seus extremistas cristãos que passavam os dias da semana a queimar bruxas e a matar índios, e aos seus domingos na igreja, a agradecer a Deus por lhes dar essa oportunidade. Os australianos melhoraram marginalmente os seus hábitos ao longo dos séculos, enquanto que os americanos não o fizeram.

A América é amplamente aceite, e na verdade até se orgulha de ser um país profundamente cristão, com 65% ou mais da população a declarar a religião como sendo importante nas suas vidas. Isto seria apoiado pela História, uma vez que as grandes migrações para o Novo Mundo consistiam numa longa lista de seitas religiosas escamosas cujo objectivo principal na emigração era a oportunidade de construir uma sociedade inteiramente baseada nessas heresias isolacionistas e extremistas. Provavelmente é  correcto dizer que a bruxaria de Salém foi o viveiro em que a versão peculiarmente americana da teologia cristã germinou e floresceu e que também serviu como uma introdução prática à histeria de massas, que mais tarde seria tão utilmente aplicada aos conceitos de patriotismo e democracia. Os ecos duradouros desta ascendência religiosa têm sido altamente influentes em toda a História americana posterior.

O Preâmbulo da Declaração de Independência Americana (“As palavras mais famosas da língua inglesa”, se o leitor for americano; são apenas mais um cartão de saudação de ‘Hello Kitty’, se o leitor não o for), declara: “Consideramos estas Verdades evidentes, que todos os Homens Brancos foram criados superiores e são dotados pelo seu Criador de certos Direitos inalienáveis, o mais importante dos quais é a escravatura”. Na História recente do mundo moderno, apenas duas nações abraçaram a escravatura tão profundamente que a praticaram  a uma escala imensa durante centenas de anos: os cristãos na América e o Dalai Lamas no Tibete. E só estes dois grupos que acarinharam a escravatura nos seus corações, travaram uma guerra civil pelo direito de a manterem. É uma circunstância moral difícil de salientar que ambos os conjuntos de fanáticos racistas tenham perdido a guerra e, enquanto Mao limpou o Tibete, o racismo e o fanatismo persistiram na América, frequentemente de forma violenta, durante mais 200 anos e ainda hoje é amplamente comprovado. A virtude cristã não morre facilmente.

Internacionalmente, o governo americano e os seus dirigentes funcionam com uma amoralidade absoluta, impulsionados principalmente pelo seu darwinismo comercial, a sua filosofia da lei da selva e a Lei do mais Forte. No entanto, individualmente, a maioria dos americanos aceita tudo isto como sendo de alguma forma justo e agradável aos olhos do seu deus. A vasta rede de prisões de tortura, os numerosos governos derrubados, as inúmeras ditaduras brutais instaladas e apoiadas, a escravização comercial e militar de tantas populações, os 10 a 20 milhões de civis massacrados, a constante ingerência nos assuntos internos de outras nações, a desestabilização tão frequente dos governos, a pilhagem dos recursos de tantas nações. Todos estes factos são desculpados, justificados, perdoados, muitas vezes elogiados, depois rapidamente esquecidos por estes cristãos morais. Os americanos podem estar à vontade com toda esta dissonância cognitiva, mas como Jiddu Krishnamurti escreveu apropriadamente, “Não é indício de saúde estar bem ajustado a uma sociedade profundamente doente”.

A hipocrisia tem sido sempre uma característica importante, direi mesmo bastante estimulante, dos americanos, e especialmente do seu governo. São os americanos que pregam a democracia e a liberdade em casa, enquanto instalam ditadores fantoches brutais em todo o mundo, que pregam o comércio livre em casa, enquanto praticam o proteccionismo mercantilista selvagem no estrangeiro. São os americanos que defendem os direitos humanos em casa, enquanto constroem a maior rede de prisões de tortura da História do mundo. E, claro, preconizando que a vida humana é preciosa em casa, ao mesmo tempo que mata milhões de pessoas noutras nações, em guerras de libertação fabricadas. Só os americanos é que se queixam da “terrível perda de 5.000 vidas americanas” no Iraque enquanto matam um milhão de iraquianos, metade dos quais eram crianças. São apenas os americanos que utilizam a CIA, a NED, a USAID e a VOA para pagar e expor ao perigo indivíduos noutros países para criar dissidência política interna, condenando depois um governo por ter reprimido “dissidentes inocentes”. Talvez um dia os americanos se tornem relutantes a toda esta criação de instabilidade mundial e iniciem outra revolução americana. E já devia ter sido feita.

A maioria dos americanos só está ligeiramente consciente do seu próprio passado sórdido, uma situação facilitada por todas as páginas em branco dos Compêndios de História. As porções da História dos EUA contidas nestas páginas foram na sua maioria amputadas da memória histórica dos americanos porque não se enquadram na narrativa mítica. A maioria dos americanos acredita fervorosamente que o seu país foi fundado em Deus e na virtude cristã, na liberdade, na democracia,nos direitos humanos e no comércio livre, mas quando cavamos por baixo da propaganda e do jingoísmo descobrimos que os Estados Unidos da América foram fundados no extremismo religioso, no racismo, na escravatura, no genocídio, num imperialismo brutal e numa rigidez violentamente saqueadora do capitalismo.

Estes volumes contêm uma História em módulos dos Estados Unidos da América com selecções que não serão encontradas em nenhum Compêndio de História, mas que, no entanto, consistem em factos que não estão em discussão. A partir daqui, analisaremos alguns factos específicos, a começar pela maneira como a América se tornou rica. Deste momento em diante, a ideologia e a realidade estarão em constante conflito, apresentando desafios consideráveis às nossas crenças insipientes.

Teste sobre História Americana

a. Que Secretária de Estado norte-americano detém o recorde mundial por ter sido a assassina mais prolífica de bebés da História registada? Madeleine Albright; Iraque, 500.000 crianças

b. Que General americano detém o Recorde Mundial como sendo o maior assassino patológico da História Moderna? Curtis LeMay; cerca de 20 milhões, mais ou menos

c. Fidel Castro está mencionado no Livro dos Recordes do Guinness como sobrevivente de 638 tentativas de assassinato pelo governo dos EUA. Por que motivo é que ele estava a ser castigado? Expulsar os judeus de Cuba

d. Quem foi o pai dum recente Presidente dos EUA que conspirou com um grupo de banqueiros e industriais judeus, em 1933, contratando um famoso general para reunir um exército de 500.000 soldados para derrubar o governo dos EUA e instalar uma ditadura fascista na América? George Bush

e. Quantas vezes é que os EUA invadiram o Canadá? Cinco até agora

f. Os EUA são uma nação há cerca de 245 anos. Durante quantos desses anos é que os EUA estiveram em guerra? 235

g. Quantas democracias é que os EUA instalaram noutras nações durante a sua existência? Quantas ditaduras brutais instalaram os EUA, noutras nações durante a sua existência? Zero. Mais de 50 e outras em curso

h. O Japão realizou experiências humanas abomináveis na China durante a Segunda Guerra Mundial – a infame Unidade 731, de Shiro Ishii. Porque razão é que o Japão foi poupado a julgamentos por crimes de guerra? Ishii e toda a sua unidade foram transportados para os EUA para ensinar aos americanos os prazeres das vivissecções vivas e outras atrocidades. Ishii foi Professor na Universidade de Maryland até à sua morte, décadas mais tarde.

i. Quantos presidentes, primeiros ministros e altos funcionários governamentais de outros países foram assassinados pelos EUA por desobediência ou obstrução à hegemonia? Mais de 150, e a contar (incluindo Dag Hammarskjöld, Secretário-Geral da ONU)

j. Que país dirige a única Universidade da Tortura no mundo? Os Estados Unidos da América; a “University of the Americas” em Fort Benning, na Geórgia

k. Durante várias centenas de anos, o tráfico de escravos foi o trabalho mais bem pago da América. Qual foi o segundo trabalho mais bem pago? Matar índios

l. Que governo durante cerca de 100 anos pagou um salário vitalício a qualquer cidadão que pudesse roubar patentes e processos de outros países? Os Estados Unidos da América. Montantes de $20.000 a $50.000, nos anos 1800

m. Qual foi o Magistrado do Supremo Tribunal dos EUA que recomendou a morte de todos os americanos de baixo QI? Oliver Wendell Holmes

n. O governo de que país durante décadas silenciou os dissidentes políticos, realizando lobotomias frontais e transformando-os em vegetais? Os Estados Unidos da América. (FBI)

o. Que famosa instituição americana recomendou “mortes por misericórdia” dos economicamente inaptos, a serem executadas em câmaras de gás locais? Carnegie

p. Qual foi o Secretário de Defesa americano que reuniu 500.000 jovens com um QI médio de cerca de 65 e os enviou para o Vietname? Quantos regressaram? Qual foi a sua punição? Robert McNamara. Não são muitos, mas o Departamento de Defesa recusa-se a divulgar estatísticas. Tornado Presidente do Banco Mundial.

q. Que médico militar americano compareceu no Congresso e em que ano, pedindo 10 milhões de dólares para financiar a criação do vírus HIV? Ele recebeu o dinheiro? O Dr. Donald MacArthur, Director Adjunto, do Departamento de Defesa, Investigação e Engenharia. 1969. Sim.

r. Quando e onde foi inventada a Coca-Cola? A cidade espanhola de Aielo de Malferit, 40 anos antes de a Coca-Cola ter roubado a patente.

s. Qual foi a pessoa famosa que inventou a lâmpada incandescente? Quem inventou o telefone? O inventor americano mais famoso foi Thomas Edison. Quantas coisas é que Edison inventou? Joseph Swan, EUA, cinco anos antes de Edison ter roubado a patente. Antonio Meucci, Itália, cinco anos antes de Bell ter roubado a patente. Nenhuma. Todas as patentes de Edison ou foram roubadas, intimidadas, extorquidas ou compradas.

t. Dizem-nos que a Alemanha matou cerca de 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Quantos alemães foram mortos na Alemanha depois do fim da Segunda Guerra Mundial? Entre 12 milhões a 14 milhões de alemães; alguns por execução, a maior parte pela fome.

u. Que famoso cientista de Física escreveu a Roosevelt, oferecendo-se para financiar todo o custo desconhecido da criação da bomba atómica, declarando que os fundos já estavam confirmados e disponíveis? Albert Einstein, fundos oferecidos por Rothschild e outros banqueiros judeus europeus.

v. Que famoso Presidente dos EUA era o filho ilegítimo de um comerciante de escravos judeu? Abraham Lincoln; o filho de A. A. Springs(tein) e Nancy Hanks. Adoptado pela família Lincoln.

w. A mulher de Abraham Lincoln era uma viciada em ópio inveterada. Quem era o seu fornecedor de ópio? Um traficante de droga judeu chamado John Wilkes Booth.

x. Em que ano foi abolida a escravatura nos EUA? A escravatura nunca foi abolida nos EUA. Apenas mudou de forma.

y. Que Presidente dos EUA expôs dezenas de milhões de cidadãos americanos à radiação de testes atómicos ao ar livre, depois instruiu os médicos para informarem as mulheres que sofriam de leucemia, queda de cabelo, abortos espontâneos, que sofriam de “síndrome de dona de casa”? Eisenhower

z. Que sapato famoso a Nike concebeu que colocou Phil Knight e Bill Bowerman no caminho da fama e da glória? O Tigre Onitsuka japonês. A Nike roubou o design e começou a fabricar nos EUA. Os tribunais americanos decidiram que a Onitsuka e a Nike podiam “partilhar” a patente.

Introdução à Série 

David Edwards foi citado no livro “Third World Traveler” como tendo escrito:

“Mesmo as pessoas de mente aberta não conseguem muitas vezes levar a sério pessoas como Noam Chomsky, Edward Herman, Howard Zinn e Susan George na primeira vez que tomam conhecimento do seu trabalho; só não lhes parece possível estarem tão enganados sobre aquilo em que acreditam. O indivíduo pode presumir que estes escritores devem estar,até certo ponto, a brincar, a exagerar, ou paranóicos, ou a ter algum motivo ou razão pessoal que sinta necessidade de discutir. Podemos, de facto, ficar zangados com eles por nos contarem estas coisas terríveis sobre a nossa sociedade e insistir que isto simplesmente “não pode ser verdade”. É preciso um verdadeiro esforço para continuar a ler, para resistir às mensagens tranquilizadoras dos meios de comunicação de massas e estar preparado para considerar novamente as provas”.

Esta é a condição que enfrentamos hoje em dia ao lidar com a América e com os americanos: uma fé e convicção cegas baseadas num século de marketing inteligente e de propaganda nacionalista que é quase inevitavelmente, desmentida pelos factos. Na verdade, há pouco sobre os EUA de hoje que não seja baseado em mitologias históricas fabricadas, História omitida, apresentações tendenciosas, factos tão distorcidos que, muitas vezes, se tornam irreconhecíveis. Provavelmente 95% do que os americanos “sabem” sobre a sua nação, sobre a sua História e sobre a sua conduta nos assuntos internacionais, é errado e, muitas vezes, violentamente errado. Não estou muito preocupado com o que os americanos acreditam sobre o seu país, mas é assustador que este enorme compêndio de ficção histórica tenha sido comercializado para o resto do mundo como sendo verdade e que povos de muitas nações acreditem nos mesmos contos de fadas que os americanos e que tenham essa nação num nível de consideração que é, para dizer o mínimo, imerecido e muitas vezes perigoso, devido à ausência da verdade.

Estas verdades são o conteúdo destes livros, a História dos EUA como era então e ainda é hoje, verdades duras e que se podem provar e realidades documentadas sem o vasto conforto da propaganda, do jingoísmo, do patriotismo e da desinformação que cobre a nação que conhecemos como os Estados Unidos da América. Simultâneo com o que é verdadeiramente um volume quase incompreensível de desinformação cor-de-rosa sobre os EUA, é um volume igual de informação de cor negra sobre o mundo fora dos EUA. Ao mesmo tempo em que os americanos foram sujeitos a um século ou mais de propaganda positiva e imperdoavelmente falsa sobre a sua própria nação, também foram submeidos a uma enorme propaganda e desinformação, falsa e negativa, sobre o mundo fora das suas fronteiras.

Esta série de livros foi, em grande parte, um acidente de circunstância que começou com a minha estadia prolongada na China e a constatação quase imediata de que a volumosa inundação negativa sobre a China que emanava persistentemente dos meios de comunicação sionistas ocidentais era completamente falsa; era demonização e propaganda no seu pior, dando aos americanos interpretações e mal-entendidos totalmente irrealistas e, muitas vezes, viciosos sobre as realidades da China. Depois de ver uma década ou mais desta investida e depois de escrever muitas séries de artigos na tentativa de corrigir algumas das falsidades mais flagrantes, afigurava-se que um livro poderia ser um formato mais apropriado. Mas então, durante dez anos ou mais de investigação histórica, tornou-se evidente que os americanos tinham sido sujeitos a uma campanha de desinformação ainda maior sobre a sua própria nação do que sobre a China e sobre outros países estrangeiros.

Então parecia ter de enfrentar uma dupla tarefa: corrigir – aos olhos dos americanos, e talvez dos ocidentais em geral – algumas das desinformações mais flagrantes sobre a China, mas depois corrigir – aos olhos dos americanos – as desinformações ainda mais visíveis sobre o seu próprio país. Para complicar ainda mais as questões, tornou-se visível lentamente que o mundo fora dos EUA tinha sido tão contaminado pela mitologia histórica americana, pelo jingoísmo e pela propaganda que os estrangeiros viviam em grande parte no mesmo país das fadas, no que diz respeito às realidades da América, como os próprios americanos. Para aumentar a confusão, acabou por se tornar evidente que o poder dos meios da comunicação social, da publicidade, da propaganda e da desinformação, sediados nos EUA, tinham contaminado não só a visão americana de outras nações, mas também a visão dos povos dentro dessas nações – ao ponto dos russos ou chineses ou vietnamitas terem sido excessivamente expostos (graças em grande parte à malvadez da VOA – Voice of America e da Radio Free Europe) às glorificadas mas falsas imagens dos EUA, e às comparativamente depreciativas, mas falsas imagens das suas nações que tinham sido tão fortemente propagadas pelo governo americano e pelos meios de comunicação sionistas ao seu povo. Assim, o projecto de elaboração de um livro deu origem a cinco livros.

Estes livros destinam-se a fornecer apenas um resumo dos tópicos relacionados. Os volumes completos podem, e já foram, escritos sobre muitos dos tópicos destes capítulos. Vimos muitos livros sobre o envolvimento da CIA nos narcóticos ou no Tibete, volumes sobre as discrepâncias na narrativa oficial do 11 de Setembro ou sobre as prisões de tortura do regime Bush, outros sobre as várias falhas da democracia americana ou do sistema educativo americano. Mas estas ofertas individuais, úteis como são, tratam os segmentos como questões essencialmente díspares e não relacionadas, quando, na realidade, a maioria delas são partes integrantes de um todo profundamente ligado. O meu propósito nestes volumes é apresentar uma imagem unificada que permita aos leitores ver toda a paisagem como um único quadro e apreciar as interligações das partes. É esta imagem unificada que proporcionará uma compreensão abrangente dos acontecimentos mundiais e das forças que os impulsionam.

Prefácio do Volume Um

Quase todos os indivíduos ou famílias têm aquilo a que chamamos ‘rabos de palha’, uma colecção de acontecimentos talvez embaraçosos ou mesmo vergonhosos, acções lamentáveis, membros da família desagradáveis, pecados que cometemos e que preferimos não confessar em público, coisas que não vivemos e que preferimos esquecer, reconhecimento não só das nossas imperfeições, mas reflectindo a realidade de que não cometemos erros, mas que por vezes agimos por motivos menos dignos.

As mentiras que contamos  estão incluídas nesta categoria. Muitas delas são o que chamamos “mentiras inofensivas”, geralmente pequenas evasões da verdade muitas vezes feitas por conveniência ou mesmo por uma boa causa. Sem dúvida que todos nós mentimos ocasionalmente, mas há alguns para quem as mentiras constituem o fundamento das suas vidas, que estão, na verdadeira acepção da palavra, “a viver uma mentira”. Ocasionalmente encontramos pessoas que mentem sobre as suas credenciais de educação ou sobre a sua história de trabalho, por vezes exagerando muito as suas realizações e, nestes casos, as mentiras podem servir como uma parte importante do fundamento da vida de uma pessoa, talvez obtendo uma posição altamente remunerada baseada em credenciais totalmente falsas, uma vida que, em parte, se desintegraria se todas as verdades fossem conhecidas. Encontramos estes casos, por vezes em vigaristas, cuja própria existência parece construída sobre uma vasta e intrincada tecelagem de mentiras, com vidas que, de facto, se desintegrariam, se as verdades fossem tornadas públicas. Essas pessoas estão, na realidade, “a viver uma mentira”.

Passando de indivíduos para as nações, há alguns países no mundo que se enquadram nesta última categoria, sendo um deles os Estados Unidos da América – uma nação e um povo que, em todos os sentidos, estão a viver uma mentira, praticamente, com todo o fundamento de crenças, de acções, de História, de orgulho nacional, de cidadania, com base em coisas que não só não são verdadeiras como constituem uma rede abrangente de mitos históricos forjados. Não se trata de uma afirmação ociosa, nem de uma acusação que possa ser feita contra muitos outros países. Não conheço nenhum lugar nos EUA onde possamos olhar e não encontrar a paisagem repleta de falsidades e apoiada por um enorme andaime de mitos, meias verdades, factos omitidos, História revista, propaganda nacionalista e magníficas mentiras descaradas. É verdade que a maioria das nações tornam algumas partes da sua História atractivas, mas os EUA são quase únicos no mundo, por ser uma nação que é genuinamente construída – e quase inteiramente construída – sobre uma base de mentiras.

Como a maioria das outras nações, se todas as suas mentiras históricas e políticas fossem totalmente expostas com todas as verdades abertamente documentadas, elas ainda sobreviveriam. Mas para os americanos, a ameaça existencial seria insuportável e não acredito que os EUA pudessem sobreviver como nação, se todas as suas verdades históricas fossem reveladas e confirmadas, de modo que os americanos fossem obrigados a confrontá-las como factos, quando não pudessem negá-los.

Como dois exemplos de somenos importância, temos o facto agora bem documentado, de que o governo dos EUA abandonou vários milhares de prisioneiros de guerra no Vietname, homens retidos pelos vietnamitas enquanto se aguardava o pagamento das reparações de guerra acordadas de vários biliões de dólares a ser efectuado pelos americanos. O governo norteamericano não tinha qualquer intenção de pagar o dinheiro e, por esse motivo, afastou-se das conversasões, deixando os homens abandonados. Muitos veteranos tentaram trazer esse facto à atenção do público, chegando mesmo a testemunhar perante o Congresso; muitos tinham provas inabaláveis das suas reivindicações, mas o governo – e os meios de comunicação social – ignoraram-nas até há pouco tempo, quando todos os pormenores factuais surgiram em sites de notícias de segunda linha na Internet e já não podiam ser evitados. Uma ameaça existencial muito maior reside na verdade sobre Pearl Harbor, que já não é segredo, a não ser para os americanos, que Roosevelt era conhecedor não só do ataque japonês iminente (que tinha provocado cuidadosa e deliberadamente), mas que sabia precisamente a localização e o curso da frota japonesa, bem como  a data e hora do ataque. Roosevelt e os seus auxiliares ocultaram esta informação aos militares de alto nível em Pearl Harbor, sacrificando essas vidas pelo objectivo mais importante, de uma entrada “justificada” em ambos os teatros da Segunda Guerra Mundial.

Creio que quase não há americanos com capacidade emocional para enfrentar esta verdade brutal, quer filosófica quer emocionalmente e, no entanto, provas semelhantes inundam virtualmente as fontes de informação disponíveis. Repito aqui as palavras de David Edwards: “Vamos ficar zangados com eles por nos dizerem estas coisas terríveis sobre a nossa sociedade e insistir, que isto simplesmente, ‘não pode ser verdade'”. No entanto, estes factos sobre o governo americano foram sempre verdadeiros. Não foi há muito tempo que documentos desclassificados revelaram a Operação Northwoods, onde a CIA propôs abater um carregamento de aviões de estudantes universitários americanos e o lançamento de um vaivém espacial norteamericano, usando-os como justificação para invadir Cuba e remover Castro. O governo dos EUA propôs e executou dezenas destas atrocidades ao longo dos anos, todas escondidas da mente e do coração dos americanos com a conivência dos meios de comunicação social. Pearl Harbor não foi, de modo algum  o pior de todos, mas poucos americanos serão capazes de lidar com estas verdades da sua nação.

Muitos acontecimentos são talvez menos brutais mas não menos impressionantes pela sua desonestidade. Todos os contos de como os EUA se tornaram ricos, os mantras jingoístas do engenho e da inovação, da riqueza resultante da liberdade e da democracia, do trabalho duro e da observação das regras, são inteira e repugnantemente falsos. A América tornou-se rica através de um programa de violência organizada que abrange centenas de anos, através de séculos de trabalho escravo não remunerado, invasões militares, intimidação e pilhagem de nações mais fracas. A propaganda dos benefícios do capitalismo ao estilo americano segue este mesmo padrão, mas os americanos são alimentados desde o nascimento e já não têm inteligência suficiente para distinguir a verdade. As estatísticas do governo americano sobre assuntos como inflação, desemprego, PIB e outras mais, são as mais enganosas e desonestas de todas as nações actuais. A máquina de propaganda diz-nos o contrário, mas basta olhar para os factos. Os EUA têm sido, durante o último século, o maior culpado de espionagem no mundo, esta actividade incluindo provavelmente espionagem comercial em grande escala durante mais de um século, mas a máquina de propaganda lança esta acusação sobre outras nações, ao mesmo tempo que afirma o desejo de recolher apenas informações sobre terroristas. Uma enorme mentira de uma magnitude quase demasiado grande para ser compreendida ou refutada.

Thomas Edison, reverenciado nos livros de História americana como um dos inventores mais prolíficos de todos os tempos, nunca inventou nada. As reportagens sobre ele são mitos históricos forjados, assim como as lendas queridas dos irmãos Wright que fizeram o primeiro voo com motor ou Alexander Graham Bell, que inventou o telefone. A Coca-Cola era um produto espanhol mundialmente famoso, roubado e patenteado pelo farmacêutico americano John Pemberton, tendo o governo americano recusado reconhecer as patentes anteriores. As histórias de invenções e de Propriedade Intelectual (PI) americanas estão quase a 180 graus da verdade, com provas solidamente documentadas de que os EUA roubaram mais PI de mais países do que qualquer outra nação, por ordem de grandeza, pagando 20.000 a 50.000 dólares a qualquer pessoa que pudesse realizar tal roubo, numa altura em que mesmo 20.000 dólares era um salário vitalício para uma pessoa média. Este padrão é sólido em todas as áreas e em todos os campos de esforço da sociedade americana. Toda a História dos EUA, tal como descrita nos Compêndios de História e repetida incessantemente por todos, desde Hollywood a vários presidentes, é quase toda falsa, e as partes não falsas estão quase sempre deturpadas. A nação da América e todo o seu povo, estão verdadeiramente a viver uma mentira.

Todo o fio condutor da “Democracia” e dos “valores democráticos” é uma das maiores mentiras em série jamais contadas. Os Compêndios de História americana e as mentes americanas, estão cheios de histórias dos EUA “tornando o mundo seguro pela democracia”, combatendo a tirania em todo o lado e instalando governos democráticos, mas este caso nunca aconteceu sequer uma vez. Enquanto a máquina de propaganda inundava o mundo imaginário com contos de democracias, os EUA inundavam o mundo real com ditadores militares brutais que permitiriam às multinacionais e aos bancos americanos pilhar os seus países. Toda a teoria da lendária democracia dos EUA, o governo pelo povo, os controlos e os equilíbrios, é falsa, com a verdade em aberto, mas os americanos estãu tão doutrinados que ninguém parece ser capaz de ver. Além do mais, o governo dos EUA tornou ilegal ensinar muitas destas verdades nas escolas públicas da América.

Toda a propaganda de superioridade moral, de preocupação com os direitos humanos, são, como veremos, mentiras na sua totalidade. Os EUA não só não são moralmente superiores, como têm o pior registo de direitos humanos de todas as nações, excepto uma, nos últimos séculos. Os americanos têm muitas histórias – quase todas falsas – de outras nações cometendo atrocidades em tempo de guerra, enquanto o seu próprio governo e militares estavam a cometer coisas muito piores e a censurar fortemente os meios de comunicação social para impedir que esse conhecimento escapasse à vigilância. Quase nenhum americano conhece os enormes massacres levados a cabo pelos seus militares nas Filipinas, na Indonésia, no Japão, na Alemanha e no Iraque. As atrocidades aos direitos humanos começaram desde os primeiros dias de desembarque dos colonos brancos na América do Norte e nunca cessaram. Desde que os EUA divulgaram para outros países as suas atrocidades em matéria de direitos humanos, vangloriaram-se para o mundo da sua rectidão moral na liderança dos direitos humanos, mas tudo se baseou em mentiras, enganos e marketing. A única “universidade da tortura” do mundo – a famigerada Escola das Américas, as décadas de atrocidades cruéis e mesmo selvagens infligidas a tantas das nações do mundo, perderam-se na propaganda americana da bondade.

Os EUA promovem fortemente a sua posição fictícia como a polícia do mundo, mas nunca agiram uma única vez de acordo com essa posição. Nenhuma nação jamais foi protegida ou defendida de nada pelos EUA, mas muitas dezenas delas foram devastadas e destruídas por este mesmo anjo imaginário de misericórdia. Tudo sobre os EUA protegerem qualquer parte do mundo, é uma pura mentira. As mentes americanas estão cheias de histórias da bondade americana a resgatar essas populações da tirania, mas as centenas de intervenções militares dos EUA foram empreendidas para derrotar populações indígenas que se revoltavam contra o imperialismo americano, contra a pobreza e contra a morte. O registo do Congresso dos EUA enumera essas intervenções como “protegendo os interesses americanos” sem fornecer pormenores sobre quais os interesses que estavam a ser protegidos, por que meios esta “protecção” estava a ser infligida e, mais importante ainda e em primeiro lugar, porque é que a América tinha quaisquer “interesses” nessas nações.

O governo dos EUA não só mentiu sobre cada guerra e intervenção militar estrangeira, como também criou, na maioria das vezes, eventos de bandeira falsa para acompanhar as mentiras e criar justificações fictícias para uma acção beligerante. A entrada americana na Primeira Guerra Mundial foi promovida talvez pela maior tapeçaria de mentiras jamais criada, graças a Lippman e Bernays, um projecto que envolveu literalmente milhões de mentiras contadas ao longo de um período de anos, o suficiente para fazer uma lavagem cerebral a toda uma população para odiar um país inocente. A promoção da Segunda Guerra Mundial não foi melhor em nenhum aspecto. Os americanos têm-no feito desde a destruição do navio de guerra Maine, no porto de Cuba, há mais de um século e nunca cessaram de levar a cabo estas enormes lesões auto-infligidas. As mentiras eram utilizadas para justificar mais mentiras.

Agora é bem sabido e não está em discussão o facto de funcionários dos EUA terem dito mais de 900 mentiras para justificar a invasão e a destruição do Iraque. O mesmo é verdade no que diz respeito à Líbia e à Síria, hoje em dia. O mesmo acontece com a destruição da Jugoslávia, outra devastadora aventura militar baseada 100% em mentiras. Todas as chamadas “revoluções coloridas” e outras semelhantes não foram iniciadas para proteger as populações locais dos ditadores, mas para punir nações pouco dispostas a resistir ao brutal capitalismo ao estilo americano que estava a devastar esses países. A Ucrânia, a Rússia, a China, Hong Kong, Taiwan, Coreia do Norte,o Irão, Cuba, o Brasil, a Venezuela, a Nicarágua e tantas outras nações têm sido atacadas pelo governo dos EUA simplesmente por resistirem à colonização, mas as mentes americanas ainda nascidas acreditam que são os representantes de Deus, pressionando “os maus da fita”. Cada parte da política externa americana e do envolvimento estrangeiro é coberta por um tapete de mentiras, com os meios da comunicação social a ajudar na destruição e na ocultação das verdades.

Seria útil elaborar um catálogo de mentiras contadas pelos Presidentes americanos, Secretários de Estado e outros altos funcionários e publicá-las juntamente com os factos reais. Considerem esta declaração feita por George Bush, em 2003, enquanto o seu vasto regime internacional de rapto e tortura estava a correr a grande velocidade: “Os Estados Unidos estão empenhados na eliminação mundial da tortura e nós estamos a liderar esta luta pelo exemplo. Apelo a todos os governos para que se juntem aos Estados Unidos e à comunidade das nações cumpridoras da lei da proibição, investigação e acusação de todos os actos de tortura e do compromisso de impedir outras punições cruéis e invulgares. Apelo a todas as nações para que se pronunciem contra a tortura sob todas as formas e para que estbeleçam o fim da tortura como uma parte essencial da sua diplomacia”. Mencionem um presidente de qualquer país que tenha contado uma mentira maior do que esta proferida por George Bush.

O governo dos EUA e as suas agências vangloriam-se perante o mundo da sua liberdade de expressão enquanto condenam a censura noutras nações, no entanto os EUA são provavelmente o país mais censurado de todos os países. O facto dos meios da comunicação social estarem dispostos a conspirar não altera o facto de todas as notícias e conteúdos públicos serem fortemente controlados e de que 95% do que os americanos “sabem” sobre a sua própria nação e o mundo, ser falso. Os meios noticiosos americanos apresentam invariavelmente apenas um lado dos acontecimentos que faz a propaganda da agenda política actual, deixando o povo americano irremediavelmente desconhecedor dos verdadeiros factos. Este facto é tão verdadeiro que um colunista norteamericano observou que apenas 4% dos americanos têm consciência da imensa brutalidade infligida ao povo da Palestina pelo Estado de Israel durante os últimos 70 anos. Os Compêndios da História americana e outros materiais educativos consistem em grande parte em mitos históricos, propaganda sobre a bondade da América, sobre a maldade de outras nações, mentiras sobre a fundação e toda a História da própria América. Hollywood é um dos piores criminosos a este respeito, sendo que praticamente todos os filmes com conteúdo histórico pouco mais são do que um filme de propaganda distorcido, satisfazendo uma ideologia ou outra ao mesmo tempo que engana totalmente os americanos sobre as verdades da sua própria nação. O filme recente “Lincoln” de Stephen Spielberg é um desses exemplos, mas existem centenas de outros.

Os EUA, a única nação no mundo que reivindica estridentemente estar isenta de qualquer propaganda, lavagem ao cérebro e censura é, de facto e na realidade, a nação mais sobrecarregada precisamente com estes atributos. Veremos provas irrefutáveis de que as crianças em idade escolar americanas estão expostas a doutrinação extensiva praticamente desde o nascimento em termos de política, capitalismo, consumismo, patriotismo, superioridade moral, excepcionalismo americano e muito mais. Veremos que esta doutrinação e lavagem ao cérebro são tão extensas que a visão americana de si mesma e do seu lugar no mundo quase não têm comparação com a realidade, a ponto deste vasto abismo entre crenças e realidade, constituir uma doença mental nacional. Dada a enorme dissonância cognitiva na América de hoje, apenas se pode concluir que os americanos são as pessoas mais iludidas do mundo.

E no final, esta é a razão pela qual o Departamento de Segurança Interna dos EUA construiu os seus 800 centros de detenção e comprou os seus três biliões de balas, a mesma razão pela qual muitos jornalistas (ocidentais) sugerem abertamente que o abuso desenfreado do poder, a corrupção enraizada e a alimentação do público, a pilhagem persistente e o terror das nações com vítimas civis aos milhões, “se tornaram tão difundidos, tão profundamente enraizados e cada vez mais ousados, que o único remédio possível é uma revolução”. Os colunistas americanos e europeus estão a tornar-se cada vez mais eloquentes a recomendar, de facto, outra revolução americana, convencidos de que só uma revolta popular da população agindo de maneira concertada teria o poder de inverter esta maré. Até lá, a América, ao contrário de quase todas as outras nações do mundo, continuará a ser uma nação construída sobre mentiras.

Parte 2:  Colonização, Trabalho e Escravidão


Fonte primária: Blue Moon Of Shangai
Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos

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